Bruxismo
Mais de 80% da população apresenta sinais e sintomas do bruxismo, que consiste em movimentos inconscientes ritmados e espasmódicos de ranger ou apertar os dentes ou apenas contrair os músculos da face ou da cabeça mesmo sem encostar os dentes
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Definição
O bruxismo é um hábito parafuncional que envolve movimentos inconscientes de ranger ou apertar os dentes, podendo ocorrer durante o dia (bruxismo de vigília) ou à noite (bruxismo do sono). Estudos indicam que 80 a 90% da população apresenta sinais de bruxismo, mas apenas 5 a 20% estão conscientes do problema.
O bruxismo pode ser leve e não necessitar de tratamento, mas em casos severos, pode causar desordens articulares e musculares, cefaleias, zumbidos, danos e perda de dentes. Muitas vezes, a descoberta do bruxismo noturno ocorre após complicações graves ou reclamações de ruídos noturnos por parceiros de sono.
Porém, os estudos mais relevantes da área nos últimos anos (inclusive os que publicamos junto ao Dr. Siqueira do HC-FMUSP e Dr. Speciali da USP- Ribeirão) mostram que o bruxismo diurno ou de vigília é mais prejudicial do que o do sono e que ele seria o maior fator de risco para o aparecimento de mialgias e artralgias da ATM. De fato, esses estudos sugeriram que o apertamento dentário durante o dia era quase 6 vezes mais frequente que o bruxismo do sono em pacientes portadores de dores na ATM e nos músculos da mastigação (região temporal principalmente). Por esta razão, é importante conhecer os sinais e sintomas deste habito inconsciente e tão prejudicial.
Sinais e sintomas

Dor na região da ATM (1 cm a frente do ouvido)

Dentes desgastados, fissurados, lascados e fraturados

Dor crônica de cabeça (temporal), face (masseter), nuca (cervical) e fundo de olho.

Dor de ouvido, zumbido e tortura sem origem definida
Outros sintomas incluem: Boca dolorida com os músculos da face pesados e cansados, rangimento, apertamento ou encostamento dos dentes durante o dia ou a noite, aumento de sensibilidade dentária (principalmente ao frio), hipertrofia dos músculos da face (principalmente masseter) e língua e bochechas com sinais de mordiscamento.
Exame de Eletromiografia
A importância do exame de eletromiografia no diagnóstico do bruxismo de vigília em paciente portadora de cefaleia, enxaqueca e zumbido.
Exame de Eletromiografia efetuado no músculo temporal de uma paciente de 40 anos que apresentava dores de cabeça, face, nuca e zumbido nos ouvidos há mais de 5 anos e que já tinha passado por vários tratamentos com remédio para enxaqueca, sinusite e otite.
Causas e fatores de risco
As causas do bruxismo ainda são controversas, porém, além dos fatores físicos e psicológicos listados abaixo, as pesquisas mais recentes associam este comportamento inconsciente a um padrão neuro-muscular, ou habito, adquirido em algum momento de nossa vida. Ele acontece mesmo sem nenhum gatilho emocional. Devido a esta característica, o tratamento via biofeedback que visa treinar o cérebro a controlar e reverter este habito tem sido tão eficiente.
Ansiedade, estresse ou tensão
Frustração e raiva reprimida
Agressividade, competitividade ou personalidade hiperativa
Modificações que ocorrem durante os ciclos do sono
Resposta para dor de ouvido ou dor de dente (em crianças)
Crescimento e desenvolvimento das arcadas e dos dentes (em crianças)
Complicações de uma patologia sistemica como a doença de Huntington ou doença de Parkinson
Efeitos colaterais de alguns medicamentos, tais como os antidepressivos ou drogas como a cocaína, heroína, etc..
Idade: o bruxismo é mais freqüente em crianças e vai diminuindo com o passar dos anos
Complicações
Dor facial, cefaléias tipo tensional, zumbido no ouvido, desordens temporo-mandibulares, desgaste e fratura de dentes e restaurações, cervicalgias ou dores no pescoço, nuca e parte alta das costas.
Tratamentos
Como vimos, o bruxismo do sono (BS) tem cedido o seu “trono” de maior vilão das DTM e Dores Orofaciais para o Bruxismo de Vigilia (BV). Apesar de sabermos que a intensidade do BS é maior que o BV, a sua frequência é muito menor.
Calcula-se, numa noite de 8 horas, uma média de 10mn de “rangimento” (para quem não tem algum distúrbio do sono) enquanto que durante o período acordado, podemos tensionar os músculos e apertar os dentes horas a fio. Os estudos são unânimes em dizer que “o tempo que você tensiona os músculos e aperta os dentes é muito mais prejudicial que a força que você aplica”.
Assim, os novos tratamentos têm que levar estas características em conta:
* Se você sofre de bruxismo noturno, uma placa de proteção dental (de resina dura, superior ou inferior) pode ser útil para proteger os dentes.
* Em relação ao bruxismo de vigília, está cada vez mais clara a sua associação com as cefaleias tensionas, enxaquecas, cervicalgias, distúrbios da ATM e zumbidos.
As opções terapêuticas mais eficientes incluem a terapia cognitiva comportamental com biofeedback (técnicas de reversão de hábitos, como o tratamento LIVA) e terapias físicas (fisioterapia, termoterapia, acupuntura, TENS).
ABORDAGEM DENTAL
Os tratamentos invasivos e irreversíveis, como o ajuste oclusal, a ortodontia (correção de uma possível desarmonia oclusal), a troca de próteses ou cirurgias, são contra indicados para o tratamento do bruxismo e suas consequências.
MEDICAMENTOS
Em geral, os medicamentos não são muito eficazes para o tratamento do bruxismo.
Se você apresenta um bruxismo secundário, como um efeito colateral de um medicamento antidepressivo que você toma, o médico poderá alterar a sua medicação ou prescrever um outro medicamento.
Uso de Toxina Botulínica para DTM
Na dor miofascial mastigatória persistente, o uso de Toxina Botulínica não se mostrou clinicamente relevante e mais efetivo que as terapias físicas tradicionais sendo portanto controverso e sem indicação para o Bruxismo idiopático.
CONSULTE UM ESPECIALISTA EM DTM E DOROFACIAL
Consultar um especialista na área é a melhor maneira de diagnosticar e controlar os sinais e sintomas do bruxismo.

Tratamento DIVA®
Após anos de pesquisa, iniciadas na Universidade de Paris em 2004 e continuadas na Faculdade de Odontologia da USP e no Hospital das Clínicas, desenvolvi um tratamento inovador para o controle destes distúrbios. Esse tratamento é reversível, não invasivo, não utiliza substâncias químicas e praticamente não apresenta contraindicações.
O tratamento usa um dispositivo que, através de biofeedback, ajuda o paciente a monitorar, em tempo real, sua condição muscular e articular.
Os resultados clínicos são encorajadores e nos dão esperança de que, finalmente, poderemos controlar e atenuar de maneira não medicamentosa essas dores crônicas tão comuns atualmente.
~ Dr. Alain Haggiag